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ESTRESSE TÉRMICO EM VACAS DE LEITE: SAIBA COMO EVITAR PREJUÍZOS!

26/03/21
            Os efeitos do estresse térmico em rebanhos de vacas leiteiras vão além do que podemos ver e imaginar, pois ele pode afetar, negativamente, tanto a produção de leite quanto a reprodução dos animais, tudo isso resultando em prejuízos para o bolso do produtor.
 
            Os efeitos negativos do estresse térmico chegam na escala dos milhões de reais por ano no Brasil, e com o objetivo de diminuir esses impactos na produtividade e no período reprodutivo dos animais, é necessária a adoção de algumas técnicas de manejos, sendo estas tanto no manejo nutricional, como nos manejos de instalações, pensando em sistemas de resfriamento térmico dos ambientes.
 
            Sabemos que existem produtores que não possuem informações suficientes para saber o que os animais precisam, ou não. Isso vai desde informações em nutrição, manejo e, até mesmo, no conforto térmico para produzir mais. E aí levanta-se o seguinte questionamento: como identificar se o rebanho está, ou não, sofrendo com os efeitos do estresse térmico?



            A resposta é simples e complexa ao mesmo tempo: os animais demonstram isso através de vários sinais, desde a pouca ingestão de matéria seca, suor, diminuição de produção, respiração ofegante, aumento na ingestão de água e até casos de acidose metabólica moderada. Além desses sintomas, existem outras respostas fisiológicas que o organismo do animal realiza para tentar regular a temperatura corporal e mantê-la nos limites normais.
 
            Para ajudar o produtor a diminuir os impactos econômicos negativos com o estresse térmico, separamos algumas informações valiosas para que possamos nos atentar e colocar em prática dentro da propriedade:
 
Estratégias de manejo para reduzir o estresse térmico
 
Compost Barn: Esse tema daria outro artigo para que pudéssemos abordar todas as vantagens de cada modelo de manejo de animais, mas, para que possamos ser práticos, o Compost Barn é uma instalação para alojar os animais e oferecer uma área de conforto e bem-estar, e, consequentemente, melhorar os índices produtivos dos mesmos. Nesse sistema, uma grande área de cama é composta de maravalha, separada do corredor de alimentação (ou cocho), em uma área, totalmente, coberta para que se possa ter sombra e temperatura ideal onde os animais irão descansar.



Free-Stalls: Trata-se de um tipo de estrutura onde o sistema consiste em uma área com camas individualizadas, corredores de acesso e pista de trato da dieta. Com esse tipo de manejo, consegue-se controlar melhor as condições do ambiente, melhorando o bem-estar animal e evitando oscilações de produção entre o inverno e o verão. Nesse sistema, é possível oferecer temperatura ideal aos animais com o uso de ventiladores. Contudo, ele ainda facilita o monitoramento do rebanho, das detecções de cios e do acompanhamento de pré e pós-parto, etc.



Estratégias nutricionais para reduzir o estresse térmico
 
            Ao pensar na nutrição de seus animais em períodos mais quentes, atente-se para incluir o fornecimento de dietas “frias”, isto é, uma dieta que gere uma alta proporção de nutrientes para a síntese e diminua o incremento calórico oriundo da fermentação e metabolismo dos alimentos.
 
            Dentro da dieta fria, recomenda-se características como: maior teor de energia, fibra de alta fermentação, menor degradabilidade de proteínas e alto conteúdo de nutrientes protegidos. Além disso, as pastagens tenras, silagem com alto conteúdo de grãos e concentrados ricos em gordura, complementam a dieta.
 
            Agora, falando especificamente de nutrientes, veja a relação de alguns na redução do estresse térmico:
 
Suplementação de Gordura: Sendo uma das estratégias que, provavelmente, mais fornece energia extra e segura à saúde ruminal, isso quando falamos da suplementação de gordura inerte no rúmen. Fora isso, quando a comparamos com fibra e amido, a gordura torna-se a fonte de energia que gera o menor incremento calórico, o que pode ser uma forma de suplementação energética mais eficiente no combate ao estresse térmico.
 
Monensina: Com base em estudos publicados recentemente, ao aumentar a produção ruminal de precursores de glicose, como, por exemplo, o propionato, mostra-se como uma estratégia eficiente para manter a produtividade. Contudo, há ressalvas: ao ampliar a quantidade de grãos na dieta deve-se ter prudência, pois pode afetar a saúde do rúmen. Nisso, a suplementação de monensina apresenta-se como um método seguro e efetivo para maximizar a produção de propionato ruminal. Além do mais, esta também auxilia no aumento do pH ruminal em condições de estresse térmico por meio da diminuição das concentrações de lactato, ao mesmo tempo em que prove propionato para a produção de glicose pelo fígado.
 
DCAD: Para pesquisadores, quando se mantém o DCAD negativo em períodos secos e DCAD positivo durante a lactação, torna-se uma boa estratégia para conversar a saúde e maximizar a produtividade animal. Então, ao manter o DCAD em níveis ideias durante a lactação, aponta-se como uma boa estratégia para os meses mais quentes do ano.
 
Minerais e Vitaminas: Os bovinos utilizam K como o principal regulador osmótico de secreção de água das glândulas de suor, o que se difere de nós seres humanos. Em detrimento disso, durante o verão, o requerimento de K é aumentando e, assim, torna-se necessário ser ajustado na dieta. Por fim, os níveis de Na e Mg, também devem ser aumentados para competir com o K pela absorção intestinal.
 
bST: Quando tratadas com somatotropina bovina, as vacas produziram mais leite e, consequentemente, consumiram maior quantidade de alimento para sustentar o aumento da produção, em estudos realizados. Porém, ambos aspectos contribuem para o aumento de calor metabólico em vacas em lactação, mas este calor extra acaba sendo contrabalanceado pelo aumento da dissipação de calor, não elevando-se os índices de temperatura corporal.
 
            Fora essas estratégias, podemos citar outras práticas que devem ser adotadas em conjunto, como:
 
  • Fornecer alimentos nas horas mais frescas do dia (bovinos podem ser alimentados à noite);
  • Aumentar a frequência das refeições (mínimo de 3 vezes) e evitar cochos vazios;
  • Prover alimentos fermentados (silagens) logo após a retirada do silo, evitando aquecimentos;
  • Utilizar ração totalmente após a ordenha;
  • Espaçamento no cocho de no mínimo 70 cm/vaca;
  • Colocar cochos e bebedouros na sombra.



            Utilizando estratégias nutricionais corretas, os animais poderão suportar distúrbios fisiológicos e metabólicos causados pela temperatura do ambiente e os ajudará a manter um metabolismo equilibrado, melhorando a produção e reprodução do rebanho e maximizando os lucros da propriedade como consequência.
 
            Se você ficou com alguma dúvida, clique aqui e entre em contato com um de nossos assistentes técnicos, que eles poderão indicar a melhor estratégia a ser utilizada em sua propriedade.